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A transição do Sistema de Produção Artesanal para o Sistema  de Produção em Massa ocorreu por volta de 1915, quando o Sistema de Produção Artesanal se deparou com necessidades do mercado que não conseguia superar, principalmente quanto a baixa capacidade de produção, custos elevados e baixa qualidade dos produtos.

O novo sistema de produção desenvolvido por Henry Ford teve seu início em 1903 na fábrica da Ford em Highland ParkDetroit, com a produção do original “Modelo A”.

Em 1908 o famoso “Modelo T”, que foi o vigésimo projeto em cinco anos, permitiu a Ford alcançar dois objetivos, um veículo projetado para manufatura, facilitando sua montagem e também um produto fácil de utilizar, que qualquer um fosse capaz de dirigir e consertar, sem precisar de um motorista e mecânico próprios.

Estes dois objetivos estabeleceram a base para o novo sistema de produção na Indústria Automobilística.

A chave para a escalabilidade do Sistema de Produção em Massa estava principalmente no projeto realizado para manufatura, onde a padronização do sistema de medida para todas as peças ao longo de todo o processo de fabricação permitiu a total e consistente intercambialidade das peças e facilidade para ajustá-las.

Com a padronização foram eliminados os sucessivos ajustes que antes eram necessários, o que levou a reduzir drasticamente os custos de produção e os prazos de entrega.

Bem como, aumentou a qualidade dos produtos.

Em 1908, o tempo de ciclo para montagem de um veículo na Ford onde cada montador montava grande parte do carro levava em média 8,56 horas, comparado a dias, realizado pelo Sistema de Produção Artesanal.

Ford buscou melhorar ainda mais o sistema com duas mudanças chaves.

Primeiro levar as peças a cada posto de trabalho, fazendo com que os montadores não saíssem mais de seus postos para buscar peças.

E a segunda foi dividir ainda mais as tarefas, levando os montadores a executar uma única tarefa durante a montagem, e movimentar-se de um carro para outro na área de trabalho.

Com estas duas melhorias, o tempo de ciclo de um montador da Ford caiu de 8,56 hrs para 2,3 minutos.

Por último, outro desafio de Ford foi quando ele percebeu que os montadores perdiam muito tempo se movimentando de uma plataforma de montagem para outra.

Para eliminar esta perda Ford implementou a Linha de Produção Móvel.

Nesta nova linha o carro era movimentado ao longo dos postos de trabalho, e o montador ficava estático, esta melhoria permitiu a Ford reduzir o ciclo de montagem de 2,3 minutos para 1,19 minutos no final de 1913.

Estas melhorias desenvolvidas pela Ford, permitiram que seus produtos custasse menos que o de seus concorrentes.

Quando a Ford atingiu o pico de produção em 1920 de 2 milhões de automóveis, já havia cortado mais de 2/3 do custo real do veículo para seus consumidores.

Este sistema colheu vitória sobre vitória durante décadas, atingindo seu ápice na América em 1955.

Neste ano a produção de carros nos EUA superaram a marca de 7 milhões de unidades vendidas, e as 3 grandes – Ford, GM e Chrysler – eram responsáveis por 95% de todas as vendas e 6 modelos representavam 80% de todos os carros vendidos.

Assim, todos os vestígios do Sistema de Produção Artesanal, já havia desaparecidos nos EUA.

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Características do Sistema de Produção em Massa

  • Mão de obra de baixa qualificação para tarefas de chão de fábrica e profissionais excessivamente qualificados para projetar produtos;
  • Fabricação totalmente verticalizada, desde a matéria prima básica até a montagem final do veículo;
  • Máquinas e ferramentas dedicadas e de alta capacidade, onde o operador apenas descarregava e carregava a máquina;
  • Alto volume de produção, porém com baixa flexibilidade devido ao elevado custo para mudança de produtos nas máquinas;
  • Custo de produção baixo devido os altos volumes de produção;
  • A qualidade neste sistema de produção também não era garantida, visto que também não havia teste no final das linhas de produção, e muito menos teste de pista nos veículos, privilegiava-se o volume em detrimento a qualidade, e para compensar, Ford entregava um manual de perguntas e respostas para os problemas mais frequentes ensinando o cliente a fazer ele mesmo a manutenção no veículo.

Ironicamente 1955 também foi o início da queda do Sistema de Produção em Massa, fazendo com que as três grandes americanas perdessem a liderança.

Uma das grandes razões desta perda de liderança estava na proliferação do Sistema de Produção em Massa para países de todo o mundo após a primeira guerra mundial, comandada pelas empresas Citroën, Renault, Fiat e VW.

Estas empresas também ofereciam ao mercado uma gama de produtos bem diversos, principalmente dois tipos não oferecidos pelos americanos, carros compactos e econômicos.

Aliado aos baixos salários europeus, esta variedade de produtos oferecida tornaram as empresas europeias competitivas em direção a exportação mundial.

Assim como os americanos, as empresas europeias tiveram muito sucesso por um período de 25 anos, do início de 1950 até meados de 1970.

Porém, por se tratar de uma cópia do Sistema de Produção em Massa americano, da mesma forma que ocorreu nos EUA, o Sistema de Produção Europeu também foi afetado nos anos 70 por alguns fatores:

  • Salários crescentes;
  • Redução constante da jornada de trabalho semanal;
  • Aumento no preço dos combustíveis;
  • Variedade na demanda do mercado onde lotes grandes não faziam mais sentido;
  • Baixa qualidade que ficava em segundo plano em relação a volume de produção.

E foram esses fatores que levaram o Sistema de Produção em Massa a estagnação.

O sistema de Ford acabou levando a Indústria Automobilística a uma crise de super capacidade.

Chegando a produzir em 1990, 8,4 milhões de unidades a mais do que o mercado demandava.

O que drenava toda a vantagem competitiva do Sistema de Produção em Massa.

Esta situação teria persistido se não tivesse uma nova Indústria Automobilística emergido no Japão.

A grande vantagem deste novo sistema era o fato de não ser uma cópia do Sistema de Produção em Massa americano.

Este novo sistema apresentava uma maneira inteiramente nova de produzir, que foi chamada de Sistema de Produção Lean.

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Fiquem ligados que colocarei aqui a parte III e exclusiva referente ao sistema de produção lean.